CONEXÃO ACRE: União Acre – Roraima cada vez mais forte O Site do coletivo TomaRRock além de ser uma das principais fontes de divulgação do que está sendo produzido pelas bandas do estado, serve de ponte para toda a cena independente brasileira. A região norte está se organizando cada vez mais, e um dos estados mais participativos do Brasil é o Acre que com bandas como os Los Porongas, Filomedusa, Camundogs, Blush Azul, Nicles, Marlton, entre outras vem fazendo barulho. O site tem como meta possuir colaboradores em várias partes do país e é com imenso prazer e orgulho que vem do Acre nosso primeiro nome. Helder Jr é jornalista, escreve para o blog GRITO ACREANO, e vai estar com a coluna CONEXÃO ACRE, que será publicada aqui no site toda quinta-feira. Confira a primeira matéria!
A volta dos que não foram (Por Helder Júnior) Depois de um ano e quatro meses, o Teatro Plácido de Castro é mais uma vez o palco do Los Porongas. Na oportunidade anterior, o quarteto lançou o CD “Los Porongas”, produzido por Phillipe Seabra, da Plebe Rude. Aquela ocasião também ficou marcada como a despedida deles do Acre – atualmente, moram em São Paulo. Tudo isso gerou uma grande expectativa sobre o “Los Porongas convida” realizado no último sábado (12/07).
O Teatrão recebeu uma platéia razoável, principalmente se levarmos em conta que se apresentaram artistas com carreira musical iniciada em nossa terra e as entradas custando R$10 e R$5 (meia). Não há dúvida que Los Porongas cativou o seu lugar na história do rock acreano, e seus fãs não se resumem em seguidores de determinado estilo musical. Toda essa ansiedade atrapalhou bastante. A começar pelos mais de 50 minutos de atraso. Um desrespeito com o público que não é exclusividade desse show, mas é uma triste tradição dos eventos musicais da cidade. “Suspeito de Si” abriu a noite, seguida por “Lego das Palavras”. Era visível o nervosismo dos integrantes e alguns erros técnicos. Porém, a partir de “Tudo ao Contrário” o palco – que, a essa altura, já reunia um bom número de “tietes” nas proximidades – apresentava a velha e boa performance dos Porongas. Eis um daqueles pontos difíceis que costumam dividir os fãs: apresentar algo novo ou manter o que sempre deu certo? Admito certa frustração em ver que nada mudou. A Terra da Garoa serviu para a divulgação e inserção da banda no cenário nacional – inclusive rendeu a gravação do DVD, através do projeto Toca Brasil, no Instituto Itaú Cultural, com lançamento previsto para setembro – além do aprendizado em situações como o episódio com o Senhor F e a Barraventos. Porém, o repertório permanece exatamente como antes. Inclusive as músicas para cover. Novo mesmo, foi ver o baterista Jorge Anzol chorar – no encontro com o mestre Hermógenes – roubando a marca registrada do vocalista Diogo Soares.
Enfim, os convidados... Brincadeiras a parte, o ponto alto da apresentação foram as ótimas escolhas de convidados que fizeram participações especiais. Primeiro com o amigo-fã-guitarrista da Nicles, Glauber Jansen, que assumiu a guitarra na música “Enquanto Uns Dormem”. Seguindo o roteiro, foi a vez de Diogo “vazar” – palavras do guitarrista João Eduardo – e dar lugar para o vocalista da Camundogs, Aarão Prado, cantar “Como o Sol”. Boas atuações, mas sem empolgação. “A pessoa no Acre que melhor canta Beatles.”, foi a definição criada por Diogo para anunciar a vinda de Edunira Assef. Nada mais justo. Cantando “Come Together”, os dois entraram em um transe contagioso, conversaram em espanhol, clamaram justiça e emocionaram. Após “Ao Cruzeiro” e “Não Há” – cantadas em coro com os fãs – chega outro grande momento da noite: a participação do baterista, louco e show-man, Hermógenes. Saído lá do fundão da platéia, Hermógenes surge tocando um instrumento de sopro, que confesso não saber exatamente qual é. Hora de assumir as baquetas, ao lado de Anzol, e tocar “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas e, logo após, “SOS” da banda Capu. Bonita homenagem aos pioneiros do rock acreano autoral. De acordo com o roteiro, tudo se encerraria com “Espelho de Narciso”, mas é claro que algumas músicas mais antigas eram paradas obrigatórias. Foi o caso de “Vovó Alice” e “Zumbi”. Além do cover d’O Rappa, “Homem Amarelo”, com participação de Lucas Maná (Dona Xica) que não cantou, mas fez alguns "UoÔ". Nostalgia dos corredores da UFAC.
Faltou aquilo que diferencia show ao vivo de uma gravação de DVD: surpresa. Tudo correu exatamente como se esperava – salvo algumas “atravessadas” que não são comuns nas apresentações deles. A banda explicou em algumas entrevistas recentes que a estrutura oferecida pela nova produtora deve liberá-los de alguns contratempos, dando assim espaço para novas composições. É esperar para ver. |